Ficha Técnica
Área do Terreno: aproximadamente 1.000m²
Área Construída: 100m²
Ano: 2026
Previsão para Obra: 2027
Localização: Santa Isabel – SP
O conceito nasceu como um refúgio de hospedagem em meio à vegetação densa do terreno. A ideia inicial previa quatro chalés menores, voltados a casais; ao longo do processo, o cliente optou por apenas dois — o que permitiu ampliar as proporções e qualificar cada unidade. Os dois chalés preservam autonomia, mas foram pensados para conversar entre si, permitindo tanto a estadia independente quanto o uso conjunto, quando os hóspedes chegam em grupo.
A localização é privilegiada: o terreno em aclive se posiciona acima do lote vizinho, que desce em declive, de modo que a vista se abre livre, sem a presença de construções à frente. Essa condição foi aproveitada ao máximo — as duas fachadas, da frente e dos fundos, foram desenhadas para emoldurar a paisagem.
Se há um espaço que define os Chalés Santa Isabel, é o banheiro. Atender ao desejo do cliente por um banheiro excepcional foi o foco central do projeto. O resultado é um ambiente amplo e quase inteiramente aberto — apenas o sanitário permanece reservado —, com duas cubas, um box generoso que abriga banheira e chuveiro, e aberturas que vão do piso quase ao forro, na frente e na lateral.
A banheira fica praticamente exposta à paisagem, com a privacidade garantida de forma delicada pela vegetação. E, sobre toda a área do box, uma claraboia acompanha a extensão do banheiro, atendendo a um pedido especial: o de poder contemplar as estrelas. A pedra moledo reveste a parede externa e delimita a área molhada, ancorando esse ambiente-manifesto na materialidade natural do projeto.
Cada chalé é praticamente um só ambiente integrado, no qual sala e cozinha se fundem em um espaço fluido e generoso. A única separação mais definida é feita por um cobogó — executado com o próprio tijolo ecológico, assentado em pé para que os furos formem a trama vazada — que divide a área de estar do dormitório sem interromper a continuidade do espaço.
Essa parede vazada tem função dupla: além de separar com leveza, deixa passar o calor. A lareira, posicionada na área social, aquece a sala e, através do cobogó, também o quarto. A cozinha ganha uma ilha para quatro pessoas, e, embora a suíte seja pensada para um casal, a previsão de um sofá-cama amplia a hospedagem para famílias — flexibilidade essencial em um projeto de estadia.
A identidade dos chalés está em sua materialidade de contrastes, definida desde o primeiro moodboard. O tijolo ecológico aparente, apenas pintado, convive com o preto da estrutura, a madeira avermelhada, a telha shingle, o cimento e a pedra moledo. Internamente, o tijolo é pintado de branco na sala e na cozinha, onde uma faixa de ladrilho hidráulico e uma parede baixa no próprio cimento do piso separam sutilmente os usos.
O mobiliário reforça essa linguagem: armários, ilha de cozinha, cabeceira e cubas foram concebidos em alvenaria e cimento, integrando-se à arquitetura em vez de apenas ocupá-la. É uma paleta rústica e sofisticada ao mesmo tempo, que dá aos chalés um caráter marcante e atemporal.
Fiel à vocação de refúgio, o projeto dissolve as fronteiras entre o construído e o natural. No lugar de muros, um cercado baixo em estilo fazenda contorna o terreno, apoiado em uma mureta e complementado por um banco que aproxima a arquitetura da paisagem. Um fire pit e uma área de redário criam pontos de convivência — parte reservada a cada chalé, parte compartilhada entre os hóspedes —, enquanto floreiras funcionam como divisões simbólicas, mais visuais do que físicas, modeladas com vegetação alta ou baixa conforme o grau de privacidade desejado.
O paisagismo aposta em cascalho rolado e áreas gramadas, pontuado por árvores nativas como ipê e aroeira, e pergolados vazados abrigam o estacionamento e ampliam os espaços de estar. Tudo converge para o mesmo propósito: fazer da estadia uma imersão tranquila e sensorial na mata.
Os Chalés Santa Isabel traduzem, em arquitetura, a ideia de refúgio. Do desnível transformado em percurso ao banheiro aberto para as estrelas, da lareira que aquece dois ambientes aos materiais que enraízam as construções na paisagem, cada decisão convida o hóspede a desacelerar e a se reconectar com a natureza.
Mais do que um lugar para se hospedar, são dois refúgios que oferecem vista, aconchego e silêncio — uma experiência de morar temporário que fica na memória.
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