“O projeto partiu do desnível. Foi a partir do terreno que a gente organizou tudo — e desenhou uma casa para um casal que ama receber.” — Arquiteta responsável, Mariana Falcão.
A DB House nasce de um encontro entre um terreno desafiador e um modo de vida muito claro: o de um casal caseiro, que ama receber a família e os amigos e faz da casa o centro da sua convivência. Situada em Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo, a residência foi desenhada a partir do acentuado desnível do lote e construída em tijolo ecológico — transformando limitações topográficas em uma casa acolhedora, sustentável e pensada, do acesso ao último detalhe, para ser vivida em boa companhia.
Ficha Técnica
Área do Terreno: aproximadamente 1.132 m²
Área Útil: 387,27 m²
Ano: 2026
Previsão para Obra: 2026
Localização: Campo Limpo Paulista – SP
Logo na primeira visita ao terreno, o desafio se impôs: um desnível de mais de seis metros até o topo do lote. Em vez de disputar com a topografia, o projeto partiu dela. Os acessos e a rampa — que ganhou um traçado mais curvo — foram as primeiras peças a serem resolvidas, junto de uma generosa área de manobra para os veículos, um pedido específico dos moradores. A partir dessa leitura do relevo, os ambientes se organizaram com naturalidade no lote.
O terreno também ofereceu suas recompensas. Nos fundos, onde o solo começa a descer, revelou-se uma bela vista, aproveitada pela implantação. E a orientação solar, com o norte contornando a lateral, garantiu boa insolação aos ambientes. Até a altura da casa foi calibrada para dialogar com o entorno, mantendo o equilíbrio com a residência vizinha em vez de se sobrepor a ela.
O coração da DB House é a sua vocação para reunir pessoas. A garagem foi concebida como um espaço multifuncional: integrada à área de jantar e à cozinha, converte-se em um verdadeiro salão de festas no inverno e, no verão, basta retirar os carros para revelar uma ampla área de mesas e churrasco. É uma solução que faz o mesmo espaço servir ao dia a dia e às grandes ocasiões, ao frio e ao calor.
Na frente da casa, um pergolado cria um recanto mais intimista — pensado para aquele café no fim da tarde, sentado à frente de casa, no ritmo tranquilo de quem gosta de aproveitar o próprio lar. Do salão à varanda, tudo foi desenhado em torno do gesto de acolher.
A preocupação com o frio do inverno guiou uma das decisões mais afetivas do projeto. Bem no centro da cozinha, um fogão a lenha funciona também como lareira: aquece a sala de estar e, com a abertura das portas, espalha calor pelos ambientes integrados. Ao lado, um fogão a gás e uma pia com janela para o exterior completam o coração da casa — onde cozinhar, aquecer e conviver acontecem no mesmo lugar.
A casa distingue com cuidado seus territórios. No setor íntimo ficam a suíte e o home office — este posicionado junto à área mais reservada, a pedido do morador, que trabalha em casa sem receber clientes e preferiu esse espaço mais recolhido, com vista para fora para trabalhar em tranquilidade. Mais próximo da área social, o quarto de hóspedes ganha um banheiro de apoio, e todos os quartos abrem para varandas voltadas à melhor insolação.
Costurando essas decisões, há um fio sutil: o feng shui, aplicado com naturalidade pela arquiteta onde fazia sentido. Ele aparece na janela sobre a pia, na disposição das camas e cabeceiras nos quartos, na orientação do home office e no triângulo de trabalho da cozinha, que articula pia, fogão a lenha e fogão elétrico. São gestos discretos que reforçam o bem-estar e a harmonia dos ambientes.
A escolha do tijolo ecológico, já definida pelos clientes desde o início, dá à DB House sua identidade material e ambiental. O tijolo vazado — em cobogó — desenha o muro que acompanha a lateral do desnível, evitando que o conjunto ficasse abafado, e reaparece na lavanderia, onde a ventilação natural se torna parte da fachada. Uma floreira qualifica esse trecho de serviço, disfarçando sua função e transformando-o em elemento de composição; o mesmo repertório esconde, com elegância, a área da caixa d’água. Onde o frio pedia vedação, a parede se fecha por completo, mas preserva o ritmo desse desenho.
À materialidade soma-se a eficiência: a casa conta com sistema de energia solar e aquecimento solar, reforçando o compromisso de unir conforto e responsabilidade ambiental.
“O projeto partiu do desnível. Foi a partir do terreno que a gente organizou tudo — e desenhou uma casa para um casal que ama receber.” — Arquiteta responsável, Mariana Falcão.
A DB House é o retrato de seus moradores: acolhedora, reunidora e conectada à terra. Do desnível que a originou à garagem que vira festa, do fogão a lenha que aquece o inverno aos cobogós que ventilam e iluminam, cada decisão traduz um jeito de viver em arquitetura.
Mais do que resolver um terreno difícil, o projeto transforma o desafio em identidade — e entrega uma casa sustentável, funcional e cheia de personalidade, feita para ser vivida com as portas abertas.
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